Iniciei há cerca de 15 dias um trabalho de levantamento de dados sobre a atuação dos parlamentares baianos nas mídias sociais. Nesta pesquisa, conto com a ajuda de Nina Santos, estudande da UFBA e assessora de comunicação de uma parlamentar.
Nossos primeiros achados mostram que há sim um movimento dos parlamentares em direção as mídias sociais. 43% dos deputados federais baianos tem algum tipo de presença nessas mídias, e eles preferem o Orkut (41%) e o Twitter (30%). Este movimento é recente, pois a maior parte dos esforços de social media se iniciaram no segundo trimestre de 2009.
Partimos da premissa de que os políticos estão fazendo testes, calibrando as mídias sociais para que elas estejam tinindo durante as eleições do ano que vem. Foi o que Obama fez nos EUA, quando começou sua estratégia online com dois anos de antecedência às eleições presidenciais.
Percebemos que os políticos usam as mídias sociais para divulgar informações sobre si mesmos, para tentar mobilizar os cidadão em prol de uma causa ou projeto, para dar respostas de forma rápida e personalizada aos internautas, além de divulgar gostos pessoais (música preferida, time de futebol etc.) e gerar visibilidade negativa aos adversários. Este último aspecto se distingue em relação ao que se viu em outros países, onde o esforço de autopromoção é bem maior que o de colocar adversários em situação constrangedora.
Devemos agora ir para o contato com as assessorias, para averiguar se o uso das mídias sociais por políticos trata-se de uma tendência ou um movimento localizado. Percebemos que os membros de partidos de direita têm usado mais essas mídias que os de esquerda, e queremos entender por quê.
A aprovação das mudanças na lei eleitoral parece corroborar com a tese de que em 2010 acontecerão eleições em que a internet terá um papel mais importante que as anteriores. Um papo rápido com alguém que trabalhe na assessoria de um político mostrará que estes estão excitados com as novas ferramentas que a internet oferece, e estão tentando entender como atuar nessas mídias. Mas, pelo que percebemos até agora, entre a intenção e o gesto há uma distância muito grande, já que a maioria dos perfis e comunidades mantidas por políticos tem uma presença ainda muito amadora.

