O ano de 2009 foi marcado, no campo do marketing e da comunicação política, como o ano de ir às mídias sociais. Depois do excelente trabalho feito pela campanha de Obama em 2008, ficou entendido por todos os políticos de que era preciso usar a internet, mais especificamente, as mídias sociais.
Esse movimento foi seguido tanto pelos políticos em si, quanto pelos governos. Explodiu o número de órgãos públicos com alguma representação neste mundo novo das mídias sociais. Mas, como todo movimento de manada, ficou claro que o mandamento era ocupar a qualquer custo e o mais rápido possível o território das mídias sociais, já que estavam todos fazendo. Ficaram de lado as perguntas básicas: O que será feito nas mídias sociais? Pra que os governos estão indo para lá?
O resultado é um monte de Twitters que espalha links de notícias, blogs que não aceitam comentários, perfis no Orkut que respondem tópicos com “Prezados Sro” etc etc etc. Nenhum deles usa o principal atributo das mídias sociais, e o seu potencial para o ambiente democrático: criar um espaço de interação entre o campo político (o governo) e a sociedade civil. Nas mídias sociais, seria possível ouvir fácil e rapidamente as demandas da população, receber seus feedbacks e aproximar o povo do campo político, dando mais transparência aos processos de decisão.
Mas, convenhamos, isso é difícil de fazer. Como dialogar com os 65 milhões de internautas brasileiros? Realmente, ninguém sabe como. Mas as experiências atuais não apontam um caminho, pelo contrário, seguem a fórmula antiga de falar o que interessa aos governos, e que é desinteressante para o cidadão, fórmula que não deve ser bem sucedida nas mídias sociais.

